Procon diz que anúncio estimula fumo entre os jovens e multa empresa

Por: William Junior, em 26 /08 /2014, ás14h25

O Procon de São Paulo informou nesta terça-feira (26) que multou a empresa Philip Morris, fabricante dos cigarros da marca Marlboro em R$ 1,1 milhão pela campanha publicitária “Talvez Marlboro”, considerada abusiva pela entidade. Procurada pelo G1, a empresa não se manifestou sobre o caso. Segundo o Procon, a Philip Morris recorreu da decisão e a entidade aguarda decisão em primeira instância.

propaganda cigarro

Os cartazes da campanha “Talvez Marlboro” traziam imagens de jovens com frases como “talvez vou criar o momento”, com um xis vermelho sobre a palavra “talvez”. Segundo a assessora técnica do Procon Andrea Arantes, as propagandas são voltadas para o público jovem.

“Havia mensagens como ‘talvez vou conquistar minha liberdade’, ‘minha autonomia’ etc, e na palavra ‘talvez’, que era o grande gancho da campanha, havia um xis. Quando o consumidor batia o olho, lia ‘vou ficar independente’. A ideia de independência e autonomia é muito buscada pelos jovens. O enfoque [da campanha] era o público jovem”, diz Andrea. “Diante desse incentivo de consumo de um produto que causa riscos à saúde do consumidor”, o Procon decidiu pela autuação.

Segundo o Procon, foi feita uma representação ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) em 2013 contra a campanha da empresa, que foi autuada pela entidade após fiscalização. Além da multa, foi determinado que os cartazes sejam retirados de circulação. “Se agentes verificarem que a campanha continua sendo veiculada, a empresa pode sofrer nova sanção”, diz Andrea.

Propagandas de cigarro
Segundo Andrea, “as empresas de cigarro já têm reduzido de forma considerável a publicidade como forma de incentivo ao consumo do cigarro”. “Acaba sendo algo mais institucional para reforçar a marca, e não incentivar o consumo”, diz.

No caso da campanha “Talvez Marlboro”, a assessora técnica do Procon afirma que o apelo ao público jovem foi considerado “agravante”. “Independente de ser ou não para o público jovem, basta a constatação do incentivo ao consumo para a propaganda ser considerada abusiva. [Nesse caso], teve o agravante de ser para o público jovem”, diz.

Em março, a ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) dilvulgou um relatório sobre a campanha “Talvez Marlboro”, lançada em 2011 na Alemanha. Segundo a ACT, as propagandas associam o fumo com “um estilo de vida jovem, de tomada de riscos, de exploração e de liberdade”, com o slogan “Não seja um Talvez. Seja Marlboro”.

Especialista que participou da elaboração do relatório divulgado pela ACT, Regina Blessa afirma que “a campanha usa táticas de psicologia, semiótica e propaganda agressivas direcionadas para alcançar os jovens entre 12 e 15 anos”.

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