Jojoh Fersan em: Extermínio Cultural

Por: William Junior, em 22 /12 /2016, ás08h16

EXTERMÍNIO  CULTURAL

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Por: Jojoh Fersan

Está claro estamos atravessando uma crise, não a econômica, mas também uma crise intelectual e artístico cultural no Brasil. A responsabilidade por essa crise é o sistema esquemático que favorece um tipo de consumidor que absorve apenas aquilo que a mídia medíocre injeta em doses cavalares de estupidez e que forma pessoas sem o devido conhecimento e contato com exemplos de boa leitura e outras manifestações culturais que não sejam massificadoras apenas. É claro que existe a oferta de bons produtos e que não seguem alguns modismos de porcarias e de ritmos absurdos de péssima qualidade principalmente para se executar e que são ridicularmente repetitivos e sem linha harmônica. Ninguém é culpado de aprender na vida a escutar melodias inspiradoras e que envolvem até a alma da pessoa. Mas existem culpados quando nos obrigam a ouvir o dia inteiro, seja onde for, baboseiras que denigrem ou achincalham mulheres ou homens, caricaturando, situações ou estado de espírito, e isso de modo algum, pode ser como um estilo musical.

 

Quanto a essa situação, tem uma citação de um jornalista brasileiro que retrata bem os dias de hoje: “A decadência cultural geralmente antecipa a decadência da sociedade”. A mídia medíocre e principal responsável por estar empurrando a nossa cultura para esse abismo da ignorância. Alguns programas televisivos e agora, alguns canais do youtube e demais redes sociais são usados para insultar a inteligência e o bom senso das pessoas que não são estúpidas nem alienadas.
A escolha, votação, ou sei lá o que usam para justificar resultados das pseudo premiações de melhores cantores ou músicas, que são divulgadas pelos meios dominantes, são o atestado de comprovação de quão grande e profundo é esse precipício em que está a cultura musical no país.
Vocês já pararam pra pensar sobre que tipo de pessoas estão se formando com esse apelo de ritmos adulterados que invadem nossos lares, nossas escolas, nossos lazeres, numa sinfonia de asneiras, atingindo diretamente as novas gerações que pensam que estão comendo filé, quando na verdade comem carne contaminada. É triste testemunhar a aniquilação cultural do nosso povo.

 

Discordo também com a definição de cultura apenas abranger o que é sorvido pela aldeia intelectualizada, sem se ater ao que originou esse conceito, considerando que já que as manifestações culturais populares são fontes inesgotáveis da exposição dos modos e costumes e da própria preservação da memória de um povo. Então se esse povo, simples e sem formação intelectual, não por opção, produz elementos da cultura popular, o que ali é gerado deve ser considerado a própria essência cultural quando ainda não foi subvertida por o que a mídia medíocre, acha que fará sucesso de alguma forma.

 

O extermínio cultural se dá quando se perde um valor em decorrência de um besta modismo apenas para atender a exigência de um mercado estúpido que as únicas notas que interessam, são as notas do vil papel que lhes garante a manutenção de uma cadeia de bestificação que é essencial para o domínio intelectual de uma realidade.

 

Aqui não tem cultura, aqui jaz um sonho, aqui só tem cinzas, aqui havia um povo!

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